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Ástor Piazzolla

Músico Argentino
(1921-1992)

A música de Ástor Piazzolla é, sem dúvida, uma das maiores expressões artísticas que a Argentina deu ao mundo. Incorporando ao tango tradicional recursos da música clássica e do jazz, Piazzolla conseguiu um resultado formidável e extremamente inovador, sofisticando esse ritmo portenho e revolucionando para sempre seus conceitos.

Biografia de Ástor Piazzolla

«O que acontece comigo é que quando conseguem me entender eu já estou mudando. Foi assim a vida inteira.» 

Ástor Pantaleón Piazzolla nasceu em 11 de março de 1921 na cidade argentina de Mar del Plata, tendo sido filho único de um casal de imigrantes italianos. Em 1925, a família se radicou em Nova York, onde permaneceria por mais de uma década. Ástor se envolveu com a música desde cedo: aos 8 anos ganhou de seu pai seu primeiro bandoneón e aos 9 começou a estudar música clássica com um pianista húngaro.

Aos 14 anos, teve um encontro mágico com Carlos Gardel, ao participar como extra no filme “El Día que me Quieras”. O pequeno bandoneonista chegou a ser convidado para integrar a nova turnê de Gardel, mas seus pais não o autorizaram. Meses depois, Gardel e sua equipe viriam a falecer em um acidente de avião.

Astor Piazzolla Tango Argentina Bandoneón Músico Compositor Carlos Gardel Film Película El Dia Que Me Quieras Canillita

Em 1937, a família Piazzolla retornou definitivamente a Mar del Plata, onde Astor fez suas primeiras apresentações. Porém, sua carreira começou verdadeiramente quando decidiu se mudar a Buenos Aires e conseguiu ser contratado em 1939 como bandoneonista na orquestra do maestro Aníbal Troilo, apresentando-se em muitos cabarets da cidade.

Apesar da amizade e da confiança estabelecidas com Troilo, ao completar 23 anos Piazzolla sentiu a necessidade de se afastar do tango para evoluir musicalmente. A partir de então, se tornou aluno do eminente músico clássico argentino Alberto Ginastera e começou a compor uma série de peças eruditas. Suas maiores influências foram Bach e Stravinsky.

Em 1952, ganhou uma bolsa do governo francês para estudar com a legendária Nadia Boulanger, quem o incentivou a seguir seu próprio estilo. Em 1955, de volta a casa, Ástor forma o Octeto Buenos Aires. Sua seleção de músicos termina delineando arranjos atrevidos e timbres pouco habituais para o tango, como a introdução de guitarra.

Astor Piazzolla Tango Argentina Bandoneón Músico Compositor

A presença de Piazzolla gerou receios, inveja e admiração entre a comunidade tangueira. Sua música foi alvo de fortes críticas e chamá-la de tango era visto como uma grande afronta. Ironicamente, ele chegou a denominar seu estilo de “música popular contemporânea da cidade de Buenos Aires”. Mas isso não era tudo: Ástor provocava a todos com sua vestimenta informal, com sua pose para tocar o bandoneón (de pé, quando a tradição era sentado) e com declarações que mais pareciam desafios.

A formação preferida dos anos seguintes foi o quinteto. Se bem estava longe de ser massivo, com Adiós Nonino, Decarísimo e La muerte del ángel começou a trilhar um caminho de sucesso que teria picos na musicalização de poemas de Jorge Luis Borges (1965), na composição da ópera-tango María de Buenos Aires (1968) e da canção Balada para un Loco (1969) junto ao poeta Horacio Ferrer, na colaboração com o saxofonista Gerry Mulligan (1974) e em concertos memoráveis no Philarmonic Hall de Nova York (1965) e no Teatro Colón de Buenos Aires (1972 e 1983), entre outros.

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Em seus últimos anos, Piazzolla preferiu se apresentar em concertos como solista acompanhado por uma orquestra sinfônica, com uma ou outra apresentação com seu grupo. Foi assim que percorreu o mundo e ampliou a magnitude de seu público em cada continente pelo bem e a glória da música de Buenos Aires. Ástor Piazzolla casou-se duas vezes e teve dois filhos, Daniel e Diana. Faleceu no dia 4 de julho de 1992, quase dois anos depois de sofrer um derrame cerebral. Seus restos descansam em um cemitério particular nas aforas de Buenos Aires.
Piazzolla e o bandoneón (1986)

Obras de Ástor Piazzolla

Discografia

Ástor Piazzolla deixou como legado a enorme influência de seu inconfundível estilo, além de uma extensa obra que abrange centenas de composições registradas em cerca de cinquenta LPs. Entre seus discos fundamentais, destacam-se: Astor Piazzolla y su Orquesta Típica (1946-1948), Octeto Buenos Aires (1955), El Tango (1965, com poemas de Jorge Luis Borges), María de Buenos Aires (1968), Libertango (1974) e The Central Park Concert (1987).

Principais composições

A obra-prima de Ástor, segundo sua própria opinião, foi Adiós Nonino, um emotivo réquiem escrito em 1959 em memória à morte de seu pai, a quem chamava carinhosamente de Nonino (vô em italiano).

Entre suas composições mais célebres também se encontram Libertango, Fuga y misterio, Decarísimo, Milonga del ángel, La muerte del ángel, Balada para un loco, Oblivion, Buenos Aires hora cero, além de peças representando as quatro estações portenhas.

Trilhas sonoras

Piazzolla compôs 44 trilhas sonoras entre 1949 e 1987, tanto para filmes da Europa como da América Latina. Entre eles, destacam-se: Toda nudez será castigada de Arnaldo Jabor (Brasil, 1973), Il pleut sur Santiago de Helvio Soto (França/Bulgária, 1975), Lumière de Jeanne Moreau (França, 1976), Armaguedon de Alain Jessua (França, 1977), Enrico IV de Marco Bellocchio (Itália, 1984) e Tangos – El exilio de Gardel de Fernando “Pino” Solanas (Argentina/França, 1985). A música de Piazzolla também foi incluída de modo póstumo em uma produção de Hollywood, o filme Os 12 macacos de Terry Gilliam (EUA, 1995).

Homenagens a Ástor Piazzolla

Em Buenos Aires
Astor Piazzolla Mural Buenos Aires Avenida de Mayo Homenaje Homenagem
  • Fundación Piazzolla  (Av. Córdoba 1513, Centro, Buenos Aires) A fundação foi criada por Laura Escalada, última parceira do músico, com o objetivo de perpetuar sua obra. Entre as atividades, destacam-se as apresentações de um quinteto próprio.
  • Piazzolla Tango (Florida 165 – Galería Güemes, Centro, Buenos Aires) O Piazzolla Tango é uma das mais belas casa de tango de Buenos Aires, escondida em um pequeno e suntuoso teatro art nouveau de 1915. O show é em boa parte um tributo às mais célebres composições do gênio Ástor Piazzolla, mas também inclui grandes tangos tradicionais. No saguão do teatro, está em exibição um bandoneón usado pelo músico. Ver detalhes e reservar show »
  • Estátua no Abasto (Carlos Gardel e Jean Jaures, Abasto, Buenos Aires) Em 2016, Piazzolla ganhou uma escultura no denominado “Paseo del Tango”, junto a outros grandes tangueiros como Carlos Gardel, Aníbal Troilo e Roberto Goyeneche. A obra é de Carlos Benavídez, o mesmo escultor da sua estátua de Mar del Plata (ver abaixo).
  • Busto na Recoleta (Junín 1930, Recoleta, Buenos Aires) A estátua com o busto de Piazzolla, criada por Blas Gurrieri em 1996, fica no auditório externo do Centro Cultural Recoleta.
  • Mural na Avenida de Mayo (Av. de Mayo esq. Av. 9 de Julio, Centro, Buenos Aires) Colorido mural em homenagem a Piazzolla realizado em 2001 pelo artista Alfredo Segatori. Além de destacar o músico com seu inseparável bandoneón, a obra contorna toda a esquina replicando prédios e cenas urbanas cotidianas.
  • Mural no metrô  No corredor Lima Sur, que une as linhas A e C do subte portenho, Astor Piazzolla é homenageado com uma aquarela em cerâmica assinada por Hermenegildo Sábat.
Em Mar del Plata
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  • Escultura em Mar del Plata  (Plaza del Milenio, Belgrano esq. Buenos Aires, Mar del Plata, província de Buenos Aires) A cidade de origem de Piazzolla homenageou o músico em 2011 com uma estátua em tamanho natural realizada pelo escultor Carlos Benavídez.
  • Casas em Mar del Plata  A primeira casa de Astor ficava na rua Rivadavia 2527 de Mar del Plata. Apesar de que hoje existe uma galeria comercial no terreno, foi inaugurada em 2009 uma placa recordatória. A casa definitiva da família Piazzolla foi na rua Alberti 1561.
No Uruguai
  • Placa em Punta del Este  Desde fevereiro de 2013, existe uma placa de mármore em homenagem a Piazzolla no porto de Punta Del Este, de onde o músico partia regularmente para exercer seu hobby de pescar tubarões. Por sua vez, ele também homenageou o balneário uruguaio com uma série musical denominada “Suite de Punta del Este”.
Nos Estados Unidos
  • Placa em Nova York (313 East 9th Street, East Village, Nova York)  Em março do ano 2000, foi colocada uma placa no prédio de East Village onde Ástor passou parte de sua infância, entre 1931 e 1936.
Na Itália
  • Museu a céu aberto na Itália  O “Largo Astor Piazzolla” é um singular caminho de pedras irregulares que homenageia o músico argentino na terra de seus antepassados. Mais especificamente, está localizado a 350 km de Roma na aldeia de Massa Sassorosso, comuna de Villa Collemandina, província de Lucca. 
Outras homenagens
  • Documentário  “Piazzolla, los años del tiburón” é um documentário de 2018 dirigido pelo cineasta argentino Daniel Rosenfeld. O filme se baseia em arquivos particulares do músico, mostrando facetas menos conhecidas como sua paixão pela pesca de tubarões.
  • Tributos  A maior homenagem que poderia ter desejado Piazzolla é uma realidade: seu legado musical não tem fim nem fronteiras. Suas obras continuam sendo muito utilizadas no cinema e no teatro, são constantemente reeditadas por discográficas, e ganham nova vida em reinterpretações de concertistas do mundo todo.

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